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Efeito Crónico

Crio escritos chistosos com relativa regularidade, que conjeturo possuírem nível para antologiar aqui. P.S: Este nível de literacia não é constante.

Ser do contra

21.02.21 | Luís Marques

   Infelizmente, têm cada vez mais voz. Tanto por terem disponíveis formas de o fazer, como os que discordam o fazerem indiretamente, enunciando a idiotice que defendem. Refiro-me aos das teorias da conspiração, os do contra, o que quiserem falar.

   A meu ver, acho que é um problema, muito maior que as fake news, que vai influenciar a sociedade futura. São pessoas que se negam a acreditar no que acontece na realidade e que órgãos de comunicação fidedignos transmitem. Ao invés de os identificar e gozar em praça pública - que entendo que o façam devido à imensa vontade que dá – acho que isso só lhes dá maior visibilidade e só dá maior eficiência à estratégia “Falem bem ou mal, mas falem”. Então tento refletir sobre o porquê de escolherem este caminho. Inicialmente, vamos passar à frente a fama a todo o custo que está por detrás da estratégia que referi, porque acho que não tem matéria de reflexão. Posto isto, pensei numa possibilidade que se baseou no ”não querer acreditar”. Isto é, será que enveredam nesta forma de pensar como uma espécie de mecanismo de defesa? Uma espécie de silogismo em que se não acreditar, não existe. Claro que isto não providencia razão a esta forma de estar, mas penso que de alguma forma a explica e torna percetível aos outros de como é que uma pessoa pode ter determinada perspetiva da realidade. Eu acredito que seja esta a razão, se não como é que um indivíduo arranja argumentos para negar o que o rodeia? E acima de tudo, como conseguem ter um ego que os permite acreditar que se tiverem numa autoestrada e todos os carros tiverem em contra mão, eles é que estão errados?

   Se a razão principal for esta tal proteção instintiva. Então são pessoas que têm de crescer internamente. Em idades precoces é que é normal tapar os olhos e pensar que se está escondido. Só que é complicado fazer perceber isto, pois não estão abertos para isso e é difícil sair debaixo da sombra do negacionismo e enfrentar o sol tórrido. Todos sentem receio das mesmas coisas, podem ter especificações diferentes mas a base dos receios é a mesma. E nisto, pode não parecer, mas vivemos numa sociedade que se define por “reunião de pessoas unidas pela origem ou por leis”. Portanto não estão sozinhos.

   Um argumento que recorrem muito é que a maioria das pessoas gostam de “seguir o rebanho”, dando a entender que existe algo superior que tem o plano de influenciar massas. Normalmente apelidado de “O Sistema” - não queria entrar muito por aqui, pois politiquices não são o meu forte. Só queria referir uma coisa que acho que as vezes se esquecem. É que tomem a posição que tomarem, estão incluídos num “rebanho”. Se várias ovelhas negras se juntarem, continuam a formar na mesma um rebanho…

   Portanto, em jeito de conclusão e não querendo ser muito idealista nem utópico. Acho que continuar a falar deste género de pessoas não é profícuo. Só aumenta o ruído. Não sei enunciar uma solução milagrosa, mas o que há a fazer é agir de forma correta quando as suas posições influenciam negativamente os outros, para que não haja argumentos para se vitimizarem e seguirmos em frente. Sermos humildes para aceitarmos criticas e posições que tomamos erradas, não invalidando de sermos seguros de nós próprios. Agora, com licença que vou acabar de tirar o meu workshop de motivacional coach.