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Efeito Crónico

Crio escritos chistosos com relativa regularidade, que conjeturo possuírem nível para antologiar aqui. P.S: Este nível de literacia não é constante.

Relação Colorida

14.08.20 | Luís Marques

   Surpreendentemente, ou não, dependendo dos julgamentos acerca da minha personalidade, é do domínio público que possuo amigos. Felizmente, tenho esta capacidade de corresponder a valores e crenças vigentes nas expectativas de pessoas que se cruzam comigo nesta caminhada, o que, consequentemente, me permite estabelecer inter-relações com as mesmas. Algumas são duradouras, outras não passam de uma mera aparência na correspondência de tais expectativas, que o tempo encarrega-se de revelar.

   Pois bem, nesta crónica vou-me cingir a outro tipo de relação - bem mais complexa que a referida, a meu ver -, que já conhecera, mas sempre de forma longínqua. Recentemente, descobri que dois amigos meus estabelecem um vínculo deste tipo, que eu vejo como um género de relação mista. A tal "Relação Colorida", como contemporâneos definem, que se delineia por uma aproximação ao nível sexual muito pronunciada, mas que no resto das particularidades presentes numa relação de namoro é bastante afastada, desde logo (a mais berrante) a monogamia. Neste género de relação, a fidelidade não é apanágio, pois a casualidade impera e não pode ascender qualquer outro tipo de sentimento que não o já existente anteriormente ao acordo. Este é o caso dos meus amigos! Portanto, são dois amigos muito próximos que se deixam levar em momentos que alguns consideram eróticos, outros consideram profanos. Eu não tenho uma opinião em concreto sobre a escolha deles, porque ao fim ao cabo não é nada comigo, não é? Desde que não me convidem para lanchar com o intuito de me proporem encarecidamente para ser o padrinho, está tudo bem para mim. Devo admitir que ficava bastante lisonjeado, no entanto, claro que não aceitava, pois a probabilidade de um fugir e o outro terminar propositadamente a vida devido à precocidade do desempenho paternal é grande e, a seguir, a quem é que moralmente a responsabilidade é delegada? Exatamente! Dos amigos em comum deste triângulo nenhum sabe e, como é óbvio, tive de realizar um juramento que não farei qualquer referência a este facto... Ingénuos!

   Como disse, nunca tinha estado tão perto deste tipo de relação e comecei a lucubrar do que faria se fosse comigo. Cheguei à conclusão que preciso efetivamente daquilo chamado "Amor". Já constatei que esta necessidade é muito apreciada na população feminina, no entanto é um pouco aborrecido, pois tenho de aguardar que surja não só o sentimento, como - e é por isto que é aborrecido - a correspondência. É que para mim, a prática sexual é resultante da intensidade do sentimento dos participantes, que induz a necessidade de aumentar a intimidade como forma de reforçar o laço afetivo, nomeadamente a partir da partilha e do prazer mútuo. Segundo os meus amigos é precisamente o oposto. Acham muito bonita a minha perspetiva, mas defendem que a simulação reprodutora, nos tempos que correm, já não é vista como tal e sim como um divertimento com alguém que se confia que não divulgará aquela deformação morfológica que tanta vergonha se tem - Confesso que pensei que eles iriam dizer algo do género "um divertimento com alguém que se confia que não tem nenhuma DST", mas isso, também, já seria a generalizar demasiado.

   Conclusão, somos três seres que partilham o mesmo estado civil e dois deles partilham mais coisas. O que me faz por em causa se vale a pena a posição que tomo em relação ao tema. Sempre que penso nisto, surge-me o pensamento que devia de aproveitar uma casualidade carnal com alguma indivídua, mas sou imediatamente invadido pelo ditado: "Quem espera sempre alcança! ". Só que é completamente refutado, pois estes dois esperam e alcançam em simultâneo, se é que me faço entender. No entanto, não consigo ter o mindset deles, como diz a mãe da minha mãe: "Cria-me espécie". Para ser mais claro e recorrendo a uma metáfora, para mim é como comer uma francesinha mas sem molho. Ok que deve ser bom, mas assim não faz sentido para mim... Ainda bem que o meu aspeto que protege destes dilemas concupiscentes (copo meio cheio, meus amigos!).

   Para finalizar, visto que sou leigo nesta matéria, surgiu-me a dúvida de que, sem saber, já poderei ter a chamada "Amiga colorida". Nunca tive sexualmente envolvido com ela, o mais próximo que tive disso foi quando a tive de a auxiliar com uma manobra de Hamlich. No entanto, ela é negra e tem vitiligo, não sei se conta...

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